sábado, 19 de junho de 2010

Pensando na vida



Foto de Neli Vieira


"Aqueles, Byron,Musset,Vigny, refugiados na Bliblia, mostravam a beleza daquilo que o egoísmo humano despreza. Estes, Poe ,Baudelaire,Flaubert, mostram o horror daquilo que ele adora! "

Eça De Queirós




Nós duas

Tire de perto de mim
Essa rosa desfocada e iluminada
Fique longe de minha alma
Ela precisa da solidão do vento
Precisa bater em paredes
Jogar-se pelos becos
Arrastar-se pelas ruas
E morrer no vazio dela mesma.

Neli Vieira

quinta-feira, 4 de março de 2010





Milagre da vida


O ipê amarelo
Agoniza na serra elétrica
Depois...
Enterram-no
Feito poste de uma rua
Vestem-no de fios
E transformadores




Não há anjos
Nem pássaros que o salve




Porém a terra
Mãe sábia
Alimenta seu filho mutilado
Com a seiva de seu santo seio
E no milagre da vida
A Fênix renasce no coração da árvore
Agora...
Não é só um poste da rua
É uma obra de arte
Que resplandece em flores lindas
Volta a ser a inspiração
Dos poetas que crêem na vida
E passeiam desnudos sobre
As flores do chão
Poetas que renascem entre
Mentiras e verdades cruas
Quando o olhar alcança o céu
E a alma tenta beijar a lua.

Neli Maria Vieira



Imagens: Internet.

Foto do poste ipê: Leandro Barcelos

domingo, 30 de agosto de 2009

Saudosa Inocência - Dilson Paiva



A gerações dos anos 50 ou décadas anteriores, um tempo não muito distante, hoje pode ser considerada careta, antiquada, ultrapassada, aos olhos dos jovens antenados do momento. Porém, ainda anda de cabeça erguida conservando os princípios que a sociedade da época vem mantendo no contexto atual, um caráter sem mácula, coeso e sustentado. É essa geração que tenta de forma incansável colocar no ápice dos trilhos, o futuro de um nome, de uma identidade, de um poder irrestrito de cultivar a luminosidade de um passado nobre.

Na verdade, nem todas as personagens dessa época ficaram em desuso, no ostracismo. Sendo autênticos remanescentes de um tempo onde a felicidade simples e contemplativa imperava. Distante da tecnologia dos modelos contemporâneos, mas, com maestria, exerciam a arte da criatividade ao confeccionar de forma artesanal os seus próprios brinquedos.
... Para e ver o texto na íntegra e as outras ilustrações entre no blog http://bussolaliteraria.blogspot.com/2009/07/saudosa-inocencia.html

segunda-feira, 30 de março de 2009

Fotopoema INI- Neli Vieira

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Post 26: E o menino puxou o gatilho

Foto ilustrativa é originária do filme "Cidade de Deus".


Foi como se dissesse adeus a velha infância. O ultimo menino do morro.
Sim, o último. Dali em diante é como se as gentes já nascessem adultas,
e nessa condição já nascessem confusas, perturbadas e más!

Acabou a inocência com aquele único e certeiro tiro.
Um único disparo, uma única puxada de gatilho e várias vítimas.
Morreram ali a Esperança e a Inocência. Acabou-se a Infância.
Daniel Oliveira

sábado, 17 de janeiro de 2009

Post 25: Manifesto futurista

Homenagem de Neli Vieira - Grupo Inizil aos Inistas Italianos.
pela participação nas comemorações de 100 anos do Futurismo



Manifesto Futurista

"Então, com o vulto coberto pela boa lama das fábricas - empaste de escórias metálicas, de suores inúteis, de fuligens celestes -, contundidos e enfaixados os braços, mas impávidos, ditamos nossas primeiras vontades a todos os homens vivos da terra:
1. Queremos cantar o amor do perigo, o hábito da energia e da temeridade.2. A coragem, a audácia e a rebelião serão elementos essenciais da nossa poesia.3. Até hoje a literatura tem exaltado a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono. Queremos exaltar o movimento agressivo, a insónia febril, a velocidade, o salto mortal, a bofetada e o murro.4. Afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um carro de corrida adornado de grossos tubos semelhantes a serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais belo que a Vitória de Samotrácia.5. Queremos celebrar o homem que segura o volante, cuja haste ideal atravessa a Terra, lançada a toda velocidade no circuito de sua própria órbita.6. O poeta deve prodigalizar-se com ardor, fausto e munificência, a fim de aumentar o entusiástico fervor dos elementos primordiais.7. Já não há beleza senão na luta. Nenhuma obra que não tenha um carácter agressivo pode ser uma obra-prima. A poesia deve ser concebida como um violento assalto contra as forças ignotas para obrigá-las a prostrar-se ante o homem.8. Estamos no promontório extremo dos séculos!... Por que haveremos de olhar para trás, se queremos arrombar as misteriosas portas do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Vivemos já o absoluto, pois criamos a eterna velocidade omnipresente.9. Queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo -, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo da mulher.10. Queremos destruir os museus, as bibliotecas, as academias de todo o tipo, e combater o moralismo, o feminismo e toda vileza oportunista e utilitária.11. Cantaremos as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer ou pela sublevação; cantaremos a maré multicor e polifônica das revoluções nas capitais modernas; cantaremos o vibrante fervor nocturno dos arsenais e dos estaleiros incendiados por violentas luas eléctricas: as estações insaciáveis, devoradoras de serpentes fumegantes: as fábricas suspensas das nuvens pelos contorcidos fios de suas fumaças; as pontes semelhantes a ginastas gigantes que transpõem as fumaças, cintilantes ao sol com um fulgor de facas; os navios a vapor aventurosos que farejam o horizonte, as locomotivas de amplo peito que se empertigam sobre os trilhos como enormes cavalos de aço refreados por tubos e o voo deslizante dos aviões, cujas hélices se agitam ao vento como bandeiras e parecem aplaudir como uma multidão entusiasta.É da Itália que lançamos ao mundo este manifesto de violência arrebatadora e incendiária com o qual fundamos o nosso Futurismo, porque queremos libertar este país de sua fétida gangrena de professores, arqueólogos, cicerones e antiquários.
Há muito tempo que a Itália vem sendo um mercado de belchiores. Queremos libertá-la dos incontáveis museus que a cobrem de cemitérios inumeráveis.
Museus: cemitérios!... Idênticos, realmente, pela sinistra promiscuidade de tantos corpos que não se conhecem. Museus: dormitórios públicos onde se repousa sempre ao lado de seres odiados ou desconhecidos! Museus: absurdos dos matadouros dos pintores e escultores que se trucidam ferozmente a golpes de cores e linhas ao longo de suas paredes!
Que os visitemos em peregrinação uma vez por ano, como se visita o cemitério dos mortos, tudo bem. Que uma vez por ano se desponte uma coroa de flores diante da Gioconda, vá lá. Mas não admitimos passear diariamente pelos museus, nossas tristezas, nossa frágil coragem, nossa mórbida inquietude. Por que devemos nos envenenar? Por que devemos apodrecer?
E que se pode ver num velho quadro, senão a fatigante contorção do artista que se empenhou em infringir as insuperáveis barreiras erguidas contra o desejo de exprimir inteiramente o seu sonho?... Admirar um quadro antigo equivalente a verter a nossa sensibilidade numa urna funerária, em vez de projectá-la para longe, em violentos arremessos de criação e de acção.
Quereis, pois, desperdiçar todas as vossas melhores forças nessa eterna e inútil admiração do passado, da qual saís fatalmente exaustos, diminuídos e espezinhados?
Em verdade eu vos digo que a frequentação quotidiana dos museus, das bibliotecas e das academias (cemitérios de esforços vãos, calvários de sonhos crucificados, registros de lances truncados!...) é, para os artistas, tão ruinosa quanto a tutela prolongada dos pais para certos jovens embriagados, vá lá: o admirável passado é talvez um bálsamo para tantos os seus males, já que para eles o futuro está barrado... Mas nós não queremos saber dele, do passado, nós, jovens e fortes futuristas!
Bem-vindos, pois, os alegres incendiários com os seus dedos carbonizados! Ei-los!... Aqui!... Ponham fogo nas estantes das bibliotecas!... Desviem o curso dos canais para inundar os museus!... Oh, a alegria de ver flutuar à deriva, rasgadas e descoradas sobre as águas, as velhas telas gloriosas!... Empunhem as picaretas, os machados, os martelos e destruam sem piedade as cidades veneradas!
Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: resta-nos assim, pelo menos um decénio mais jovens e válidos que nós deitarão no cesto de papéis, como manuscritos inúteis. - Pois é isso que queremos!
Nossos sucessores virão de longe contra nós, de toda parte, dançando à cadência alada dos seus primeiros cantos, estendendo os dedos aduncos de predadores e farejando caninamente, às portas das academias, o bom cheiro das nossas mentes em putrefacção, já prometidas às catacumbas das bibliotecas.
Mas nós não estaremos lá... Por fim eles nos encontrarão - uma noite de inverno - em campo aberto, sob um triste telheiro tamborilado por monótona chuva, e nos verão agachados junto aos nossos aviões trepidantes, aquecendo as mãos ao fogo mesquinho proporcionado pelos nossos livros de hoje, flamejando sob o voo das nossas imagens.
Eles se amotinarão à nossa volta, ofegantes de angústia e despeito, e todos, exasperados pela nossa soberba, inestancável audácia, se precipitarão para matar-nos, impelidos por um ódio tanto mais mais implacável quanto os seus corações estiverem ébrios de amor e admiração por nós.
A forte e sã injustiça explodirá radiosa em seus olhos - A arte, de facto, não pode ser senão violência, crueldade e injustiça.
Os mais velhos dentre nós têm 30 anos: no entanto, temos já esbanjado tesouros, mil tesouros de força, de amor, de audácia, de astúcia e de vontade rude, precipitadamente, delirantemente, sem calcular, sem jamais hesitar, sem jamais repousar, até perder o fôlego... Olhai para nós! Ainda não estamos exaustos! Os nossos corações não sentem nenhuma fadiga, porque estão nutridos de fogo, de ódio e de velocidade!... Estais admirados? É lógico, pois não vos recordais sequer de ter vivido! Erectos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas!
Vós nos opondes objecções?... Basta! Basta! Já as conhecemos... Já entendemos!... Nossa bela e hipócrita inteligência nos afirma que somos o resultado e o prolongamento dos nossos ancestrais. - Talvez!... Seja!... Mas que importa? Não queremos entender!... Ai de quem nos repetir essas palavras infames!...
Cabeça erguida!...
Erectos sobre o pináculo do mundo, mais uma vez lançamos o nosso desafio às estrelas."

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

POST 24: Chico Bento e o novo acordo ortográfico.


Créditos:
Desenhos: turma da mônica - Maurício de Sousa
Roteiro: Daniel Benjamin de Oliveira



O presente trabalho, apresenta por meio de uma recriação da HQ de Chico Bento, originalmente de autoria de Maurício de Sousa, uma situação de ensino-aprendizagem em sala de aula.

No exemplo é discutido um tema atual que é o acordo ortográfico que passará a viger a partir de 01 de Janeiro de 2009 e provocará alterações no português escrito no Brasil. O acordo tem por objetivo minimizar as diferenças ortográficas existentes nos países que tem a língua portuguesa como idioma oficial. Fazem parte da lista de paises de língua portuguesa: Portugal, Brasil, Angola, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e Timor Leste.

Segundo o respeitado professor e autor de livros didáticos, Douglas Tufano, em uma recente publicação dedicada ao tema, o acordo é necessário, porém ainda insuficiente pois não elimina todas diferenças no português utilizado nos vários países.

“Esse Acordo é meramente ortográfico; portanto, restringe-se à língua escrita,não afetando nenhum aspecto da língua falada. Ele não elimina todas as diferenças ortográficas observadas nos países que têm a língua portuguesa como idioma oficial, mas é um passo em direção à pretendida unificação ortográfica desses países”

(TUFANO, 2008, p. 3 - 4)

Na Historia em Quadrinhos, recriada com o objetivo de abordar o tema, temos a situação onde o aluno Chico Bento bem informado sobre o assunto, se posiciona criticamente com relação a essa reforma ortográfica. Chico apresenta pequenas mudanças que o afetarão diretamente em sua vida no campo. Daí a utilização de exemplos como as palavras Jibóia - Jiboia (réptil de presença recorrente em áreas rurais) e Geléia - Geleia (alimento doce que de modo geral agrada as crianças). Além desses exemplos, a HQ apresenta a inclusão de três novas letras em nosso alfabeto e finaliza citando o fim da utilização do trema.

É importante ressaltar que a história recriada trata-se de uma livre adaptação e assim não se prende às características da obra original. E desse modo, o jovem Chico Bento pode ter a postura crítica já mencionada o que não ocorre originalmente com o personagem.



Referências Bibliográficas: