quinta-feira, 26 de junho de 2008

Post 22: A rosa e o Beija


Título da foto: "Flowers in sunset" / AUTOR: Amos Struck www.sxc.hu

A rosa e o Beija (Canção de Despedida)

Passarim bateu asas
Passarim voou
Alçou vôo, rumou...
Foi-se então o Beija
e a Rosa ficou.

texto: Daniel Oliveira

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Post 21: No canto


Foto e poema de Neli Vieira
(foto- praia grande litoral de SP -Poema do livro)
LONGOS POEMAS PARA NOITES DE INSÔNIA

sábado, 5 de abril de 2008

Post 20: Mundo Cão (homenagem a Kafka)


arte: Peter Kuper www.peterkuper.com

Um inseto acordou um dia e viu que tinha se transformado num monstruoso ser humano. Estava em um beco imundo e mal iluminado. Ele tentou rastejar, mas foi impedido logo no primeiro momento, ferindo-se na mão com alguma das porcarias espalhadas pelo lugar.
Durante horas permaneceu ali acuado observando o líquido vermelho e viscoso que saia de sua mão e aos poucos respingava, misturando-se à imundície.
Ao ouvir o zunir de uma mosca perto de si, instintivamente apressou-se em esmagá-la. O ex-inseto surpreendeu-se com seu primeiro pensamento, ele enfim tomava consciência de que tornara-se o grande predador que outrora temia.
De início condoeu-se pelo assassinato de um próximo, mas logo que percebeu que poderia ficar sobre suas duas pernas, esqueceu-se completamente do episódio anterior.
Com dificuldade caminhou e já adquiria alguma prática quando foi ouvido um disparo:

- O que está fazendo aí? [perguntou o atirador]

O pobre diabo foi atingido nas costas e caiu para nunca mais levantar.

Com poucas horas o ex-inseto sucumbiu por simples inaptidão para sua nova condição. Seu último pensamento foi considerar que em tão pouco tempo já havia se corrompido e como monstro-homem já havia matado e agora como um castigo fora entregue à mesma sorte.
O desgraçado ser metamorfoseado não suportou nem mesmo a um dia interio nesse novo corpo, não sobreviveu a esse mundo cão.

Daniel Oliveira




sábado, 8 de março de 2008

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Post 18 - Maldita palavra


Poema criado durante o Sarau 'Malditos'
na Casa da palavra (espaço cultural de Santo André)




Palavra


Quero uma palavra

uma maldita palavra

para livrar-me desta tortura

desta dor cruel - nua

maldita palavra

que espante este corvo

e liberte as serpentes

que dançam no meu estômago

única e maldita palavra

que escarre essa morte lenta

de dentro

nada mais

nada

nada.


(Do livro -A profundidade do degrau- Neli Vieira)

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Post 17: O homem que não sabia viver

Estava prestes a completar meus 60 anos. Em apenas uma noite esse fato iria se consumar.
Tinha ido me deitar na expectativa de amanhecer já com a nova idade. Durante toda a noite me mexi de um lado ao outro sem conseguir pegar no sono. Como não conseguia dormir, comecei a me lembrar da juventude, lembrei do que nao tive. Entendi que passei toda a vida em busca do sucesso e do dinheiro.

[um sorriso triste se esboçou no rosto desse, em breve, sexagenário]

É, acho que consegui, tenho respeito, sucesso, dinheiro...
E a noite lá fora era cada vez mais escura e parecia não acabar. Não dormia! Algo em mim fervilhava e acontecia um não sei. O que sei é que o sono não veio e jamais acordei.


Daniel Oliveira

sábado, 12 de janeiro de 2008

Post 16 - RESTO-


Foto e poema de Neli Vieira