quinta-feira, 7 de agosto de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Post 22: A rosa e o Beija
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Post 21: No canto
sábado, 5 de abril de 2008
Post 20: Mundo Cão (homenagem a Kafka)

arte: Peter Kuper www.peterkuper.com
Um inseto acordou um dia e viu que tinha se transformado num monstruoso ser humano. Estava em um beco imundo e mal iluminado. Ele tentou rastejar, mas foi impedido logo no primeiro momento, ferindo-se na mão com alguma das porcarias espalhadas pelo lugar.
Durante horas permaneceu ali acuado observando o líquido vermelho e viscoso que saia de sua mão e aos poucos respingava, misturando-se à imundície.
Ao ouvir o zunir de uma mosca perto de si, instintivamente apressou-se em esmagá-la. O ex-inseto surpreendeu-se com seu primeiro pensamento, ele enfim tomava consciência de que tornara-se o grande predador que outrora temia.
De início condoeu-se pelo assassinato de um próximo, mas logo que percebeu que poderia ficar sobre suas duas pernas, esqueceu-se completamente do episódio anterior.
Com dificuldade caminhou e já adquiria alguma prática quando foi ouvido um disparo:
Durante horas permaneceu ali acuado observando o líquido vermelho e viscoso que saia de sua mão e aos poucos respingava, misturando-se à imundície.
Ao ouvir o zunir de uma mosca perto de si, instintivamente apressou-se em esmagá-la. O ex-inseto surpreendeu-se com seu primeiro pensamento, ele enfim tomava consciência de que tornara-se o grande predador que outrora temia.
De início condoeu-se pelo assassinato de um próximo, mas logo que percebeu que poderia ficar sobre suas duas pernas, esqueceu-se completamente do episódio anterior.
Com dificuldade caminhou e já adquiria alguma prática quando foi ouvido um disparo:
- O que está fazendo aí? [perguntou o atirador]
O pobre diabo foi atingido nas costas e caiu para nunca mais levantar.
Com poucas horas o ex-inseto sucumbiu por simples inaptidão para sua nova condição. Seu último pensamento foi considerar que em tão pouco tempo já havia se corrompido e como monstro-homem já havia matado e agora como um castigo fora entregue à mesma sorte.
O desgraçado ser metamorfoseado não suportou nem mesmo a um dia interio nesse novo corpo, não sobreviveu a esse mundo cão.
O desgraçado ser metamorfoseado não suportou nem mesmo a um dia interio nesse novo corpo, não sobreviveu a esse mundo cão.
Daniel Oliveira
sábado, 8 de março de 2008
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Post 18 - Maldita palavra

Poema criado durante o Sarau 'Malditos'
na Casa da palavra (espaço cultural de Santo André)
Palavra
Quero uma palavra
uma maldita palavra
para livrar-me desta tortura
desta dor cruel - nua
maldita palavra
que espante este corvo
e liberte as serpentes
que dançam no meu estômago
única e maldita palavra
que escarre essa morte lenta
de dentro
nada mais
nada
nada.
(Do livro -A profundidade do degrau- Neli Vieira)
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Post 17: O homem que não sabia viver
Estava prestes a completar meus 60 anos. Em apenas uma noite esse fato iria se consumar.
Tinha ido me deitar na expectativa de amanhecer já com a nova idade. Durante toda a noite me mexi de um lado ao outro sem conseguir pegar no sono. Como não conseguia dormir, comecei a me lembrar da juventude, lembrei do que nao tive. Entendi que passei toda a vida em busca do sucesso e do dinheiro.
[um sorriso triste se esboçou no rosto desse, em breve, sexagenário]
É, acho que consegui, tenho respeito, sucesso, dinheiro...
E a noite lá fora era cada vez mais escura e parecia não acabar. Não dormia! Algo em mim fervilhava e acontecia um não sei. O que sei é que o sono não veio e jamais acordei.
Tinha ido me deitar na expectativa de amanhecer já com a nova idade. Durante toda a noite me mexi de um lado ao outro sem conseguir pegar no sono. Como não conseguia dormir, comecei a me lembrar da juventude, lembrei do que nao tive. Entendi que passei toda a vida em busca do sucesso e do dinheiro.
[um sorriso triste se esboçou no rosto desse, em breve, sexagenário]
É, acho que consegui, tenho respeito, sucesso, dinheiro...
E a noite lá fora era cada vez mais escura e parecia não acabar. Não dormia! Algo em mim fervilhava e acontecia um não sei. O que sei é que o sono não veio e jamais acordei.
Daniel Oliveira
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